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Planejamento e Inteligência Fiscal contra
o
Tiranossauro
Rex
As
empresas estão se articulando para buscar mecanismos aptos a evitar que
ocorra aumento nas autuações em razão de deficiências na prestação
de informações para a Receita Federal, devido a implementação, na última
semana, de um novo sistema de cruzamento de dados para incrementar o
potencial de fiscalização do órgão.
Segundo especialistas, além do planejamento tributário, um novo
mecanismo que vem sendo cada vez mais utilizado é o da inteligência
fiscal, pelo qual é apresentado às empresas um mapa com a visão
detalhada das informações que o Fisco tem sobre elas, como forma de
evitar autuações e prever o pagamento dos tributos.
O novo sistema da Receita será operacionalizado por um supercomputador,
apelidado de T-Rex em referência ao gigante dinossauro Tiranossauro Rex,
que irá rodar o software Harpia, que foi desenvolvido pelo Instituto
Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a Universidade de
Campinas (Unicamp).
A promessa da Receita Federal é de aumento da agilidade no cruzamento
dos dados para combater a sonegação.
Produzido pela IBM, o T-Rex pesa cerca de uma tonelada e foi instalado
na sede regional do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro)
de São Paulo. De acordo com o Serpro inicialmente o supercomputador será
utilizado para fiscalização de empresas que têm negócios com importação
e exportação.
Posteriormente, a Receita Federal pretende utilizar a nova tecnologia
para o cruzamento de dados de todas as operações de todos os
contribuintes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.
A previsão é que o sistema passe a operar a partir de 2006, e a
expectativa dos especialistas é de que a arrecadação da Receita
aumente, razão pela qual as empresas devem se planejar para evitar
problemas com o Fisco.
Uma das formas de amenizar o impacto do novo sistema é a inteligência
fiscal, que consiste em mecanismos de acompanhamento do Fisco para saber
como ele enxerga a empresa, explica Fábio Pereira Ribeiro, presidente
da Docs Inteligência Fiscal. “Normalmente as empresas se atém
somente ao processamento de suas informações internas, como declarações
e pagamentos de impostos” afirma.
Ribeiro diz que as empresas não costumam encarar a questão fiscal como
estratégica, relegando-a a um plano meramente operacional. Para ele a
conduta é arriscada, pois são os diretores da empresa que respondem
pelos erros cometidos na questão fiscal, que pode comprometer até 60%
do faturamento bruto das organizações.
“Uma das formas de fiscalização que será feita pelo novo
supercomputador é o cruzamento de dados dos impostos recolhidos pela
empresa e dos impostos recolhidos pelos seus sócios e analisar se são
compatíveis”, diz Ribeiro.
Segundo Ribeiro, muitas das autuações sofridas pelas empresas são
evitáveis com o uso da inteligência fiscal. “Boa parte dos problemas
com o Fisco decorre da falta de acompanhamento e de falhas de documentação”,
aponta.
“Devem ser revistos os procedimentos adotados pelas empresas nas
declarações econômico-fiscais dos últimos cinco anos”, afirma
Walter Carvalho Britto, do Marcondes Advogados Associados.
Britto recomenda que as empresas realizem uma auditoria fiscal
permanente, pois com o novo sistema da Receita Federal haverá maior
precisão nas fiscalizações e, através do cruzamento de dados, maior
comunicação com as demais declarações.
“Às vezes a contabilidade é correta, mas o recolhimento é
equivocado. A atenção é importante, pois centavos podem impedir a
baixa de uma dívida no sistema”.
O advogado aponta que, como todo sistema informatizado, o
supercomputador pode apresentar falhas. Ele lembra que, há cerca de
dois anos, uma falha no sistema da Receita provocou uma série de cobranças
de débitos já pagos.
Para Janir Adir Moreira, membro da comissão de assuntos tributários do
Conselho Federal de Contabilidade, a falta de planejamento é uma
“constatação”. Ele afirma que a necessidade de uma estratégia
fiscal fica mais evidente quando a complexidade da legislação
brasileira é levada em conta.
Para ele as empresas devem se empenhar na busca de caminhos para
minimizar custos, utilizando expedientes gerenciais e jurídicos.
“O contribuinte não pode buscar a sonegação, mas ele deve encontrar
formas para reduzir sua carga fiscal”, afirma.
Eduardo Diamantino, sócio do escritório Diamantino Advogados, aponta a
falta da cultura de planejamento entre o empresariado brasileiro como
responsável por gastos fiscais desnecessários.
Para ele um dado resume a falta de estratégia fiscal do empresariado
brasileiro. Segundo Diamantino, a advocacia consultiva nos Estados
Unidos representa 80% da atividade, ao passo que no Brasil a participação
desses serviços é estimada em 25%.
De acordo com Ribeiro a Receita apresenta problemas que causam prejuízos
às empresas, como a falta de funcionários capacitados e devidamente
instruídos.
“Os funcionários não sabem orientar os procedimentos, indicar os
setores para os processos, e a atualização da legislação e das novas
normativas da própria receita”, diz.
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Fonte:GAB
Inserida em: 28/10/2005
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