Parafusos

O treinamento de parafusos de 2 voltas deveria ser OBRIGATÓRIO para pilotos e principalmente INSTRUTORES de planador, e não somente entrada em parafuso, pois o piloto de planador, na maioria das vezes passa 30 a 50% do vôo ou mais em térmica, a baixa velocidade...

Os iniciantes, quando a baixa altura, quer seja em térmica ou no procedimento de pouso tendem a não inclinar o suficiente, levando a uma condição critica que pode deteriorar em um parafuso a baixa altura o que é sabidamente fatal.

A desorientação espacial decorrente do parafuso executado acidentalmente por uma pessoa inexperiente leva a reações indesejáveis que fatalmente agravarão a autorrotação...(tentar corrigir com aileron e cabrar o manche) Quando não identificado rapidamente, e devido as limitações estruturais de nossas aeronaves, uma correção exagerada poderá levar a uma atitude mais critica (dorso, VNE etc)...

Qualquer planador operado fora do envelope de peso / balanceamento ou a baixo da velocidade de stol entrará em parafuso nestas condições, portanto o treinamento é a unica forma de evitar os acidentes.

Isso posto, somente nos resta investir em equipamento adquado e a instrução segura do piloto/aluno. Não dá para improvisar!

(colaboração: Armando R. Pucci)


Estive relendo algum material que tenho sobre ensaios de parafusos e resolvi comentar algo relevante:
Aprendi a fazer parafusos, com aplicação decisiva de pé e mão até o batente (pedal e manche "colados"), segurando-os com vontade nessa posição até o momento da recuperação (sempre com o aileron neutro).
Nunca tive problemas para recuperar dos parafusos.

No material que tenho aqui espalhado em vários livros e reportagens sobre o assunto, notei uma coisa em comum:
- Os incidentes e ensaios onde houve um "agravamento" do parafuso, sempre após MUITAS voltas (mais de 6), dificultando a recuperação, todos tem um padrão:
Exceto nos casos de problemas de projeto ou de peso e balanceamento, os demais casos de agravamento parecem ter sido incitados pela não aplicação dos comandos até o batente, notadamente do profundor!

Em algumas aeronaves, após ter de fato "engrenado" no parafuso, de maneira clara, se você aliviar ligeiramente a pressão no manche (apenas ligeiramente), isso fará a aeronave assumir uma posição muito mais "picada" do que no parafuso normal e causará um "excitamento" da razão de giro, fazendo a aeronave girar muito mais rapidamente.
Se essa situação se prolongar, a recuperação pelo "Método Oficial" pode demorar várias voltas !!!

Houve um incidente com um Grumman-American Tiger onde o piloto sem querer provocou essa situação, simplesmente porque se esqueceu de colocar o compensador em neutro, como manda o manual, Antes da realização de parafusos. Diga-se de passagem, essa recomendação existe para muitas aeronaves, até para a realização de perdas!

Isso fez com que ele não tivesse autoridade suficiente de profundor para "colar" (visto que a aeronave se encontrava com o compensador adiantado), causando então o excitamento do giro no parafuso. Após a 4a volta, o piloto se assustou com a razão de giro violenta, comandou a recuperação esperou, e contou umas 4 voltas sem sair do parafuso. Sendo piloto de acrobacia, conhecia o "massete" de aliviar a pressão no manche para "acelerar" o parafuso, então percebeu o que estava ocorrendo. Deduziu que precisava "colar" mais o manche para retornar à situação normal.

Porém, por mais que fizesse, não parecia mudar muito a situação. Então percebeu que havia se esquecido de colocar o compensador em "Neutro". Corrigiu o erro, e então sim, conseguiu colar o manche.
Assim, lentamente a razão de giro diminuiu e o nariz da aeronave se elevou para uma atitude normal de parafuso, onde a recuperação "Oficial" funcionou normalmente.
Total : 14 voltas, recuperação a 500 pés do chão!

Interessante, não?

Abraços,
Pieper